Liderança Alinhada!

“Um líder cristão é alguém chamado por Deus para liderar; que lidera com um caráter plenamente semelhante ao de Cristo; e revela as aptidões funcionais que permitem uma liderança concretizar-se.” (George Barna)

O que é liderança alinhada? É uma organização que tem sua Missão, Visão, Valores e Estratégias permeadas em toda expressão de liderança.

Veremos a seguir que as empresas estão preocupadas em ter uma Liderança alinhada:

Segundo uma pesquisa realizada pela consultoria KPMG, sobre cultura de alto desempenho, falta alinhamento dos líderes em relação à estratégia das empresas. O levantamento foi realizado durante o Congresso Nacional sobre Gestão de Pessoas (CONARH 2010) com mais de 170 executivos, em sua maioria da área de recursos humanos, e revela que 91% dos líderes não agem, na maior parte do tempo, de acordo com a visão e com os valores da empresa. Além disso, apenas 24% dos entrevistados disseram que a liderança em suas companhias favorece o alto desempenho.

“É necessário reunir diversos aspectos, como ter uma liderança alinhada com a Visão, Objetivos e Estratégias da organização e que seja capaz de conectar e engajar as pessoas. Além disso, uma comunicação adequada é fundamental para adquirir esse rendimento, pois se a estratégia não está clara para os colaboradores e se o líder não for coerente com seu discurso, não será possível obter um empenho diferenciado dos colaboradores de forma sustentável”, conclui Patricia Molino, sócia responsável pela área de People & Change da KPMG no Brasil (extraído do site RH Central).

Agora, vamos trazer essa temática para nossa realidade de Igreja Local, onde também temos uma Declaração de Missão, Valores, Visão e Estratégia. Mas, será que nossos líderes estão alinhados com esses aspectos da Igreja Local? Será que estamos trabalhando para que nossos Líderes vistam a camisa e que juntos cheguem ao propósito estabelecido por cada Igreja local?

Veremos um pouco sobre cada aspecto importante para obtermos uma liderança alinhada.

Declaração de missão

Como a organização será conhecida. Uma espécie de carteira de identidade da organização.

Valores que defendemos

Os valores criam, moldam e perpetuam o comportamento de uma organização. Vamos definir valores: são princípios que nos direcionam tanto no ministério quanto nas decisões que temos que tomar em nosso dia a dia como líder. São padrões ou atributos com o qual a missão se empenha de maneira inalterável, pois é a essência daquilo que determina a sua identidade. Valores são essenciais em liderança. Não poderíamos ter um processo integral de desenvolvimento se não incorporássemos nele uma compreensão dos valores fundamentais. Em poucas palavras, desejamos que nossos líderes:

  • Tenham o coração em Deus (Mt. 22.37)
  • Amem seu próximo e sua família (Mt. 22.39)
  • Liderem e sirvam como Jesus (Mc. 10.42-45)

Que sejamos capazes de comunicar o evangelho eficazmente, tendo paixão, sabedoria, criatividade e integridade (II Co. 3.5-6).

Declaração de visão

Vamos primeiramente definir o que é visão. Com certeza, já ouvimos dezenas de definições. Visão é uma imagem do futuro para o qual Deus está direcionando seu ministério.

Em seu livro “Líderes em Ação”, George Barna define visão como um retrato mental claro de um futuro preferível, comunicado por Deus a seus líderes escolhidos, baseado num entendimento real de Deus. A visão é clara. Isto sugere que o líder que possui tal visão sabe exatamente o que deseja realizar e como será o produto final.

A visão verdadeira vem de Deus. Somente Ele sabe o que é melhor para nós; apenas Ele se importa tanto conosco, a ponto de chamar líderes e introduzir neles a sua visão para benefício de todos nós.

Visão é, portanto, o vislumbrar do tipo de mundo no qual Deus deseja que vivamos. Um mundo que Ele pode criar por meio de nós.

Estratégia clara[1]

É a forma que iremos aprimorar a visão. É o meio de implementação. No caso da igreja, os ministérios são os “meios” pelos quais será possível visualizar na prática a visão e valores da Igreja local. Ou seja, os ministérios procuram executar as convicções (Valores Bíblicos) por meios de alvos. A existência de um ministério só será justificada se estiver atendendo ao cumprimento de um valor da igreja.

Conclusão

Temos que trabalhar com nossos líderes de ministérios para que sempre estejam alinhados com o propósito estabelecido pelo(s) líder(es) da Igreja. Devemos fazer com que todos os líderes de ministério se preocupem em atingir o propósito da Igreja em unidade. Todos os ministérios trabalhando integrados no mesmo foco, base e visão.

Liderança alinhada é o movimento do ponto “A” para o ponto “B” com unidade. Mesmo que a igreja tenha vários ministérios, eles devem alinhadamente sair do ponto “A” e chegar juntos e unidos ao ponto “B”. É verdade que cada um terá um papel distinto, mas todos estarão coesos para atingir o propósito da igreja.

Portanto, a igreja deve ter a liderança alinhada com sua Missão, Visão, Valores e Estratégias.  Isto significa que todos os ministérios devem ter o alinhamento como foco e trabalhar para que os conceitos se tornem realidade.  O ministério alinhado evita que cada ministério se torne uma entidade autônoma dentro da igreja, pelo contrário, cada ministério estará unido contribuindo para um mesmo propósito. (Gerson Berthault)

 


[1] BERTHAULT, Gerson. Apostila do Curso de Liderança. Material não publicado.

 

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Você seria feliz no céu, se Cristo não estivesse lá?

A pergunta crucial para nossa geração, e para cada geração, é esta: se você pudesse ter o céu, sem doenças, com todos os amigos que tinha na terra, com toda a comida que gostava, com todas as atividades relaxantes que já desfrutou, todas as belezas naturais que já contemplou, todos os prazeres físicos que já experimentou, nenhum conflito humano ou desastres naturais, ficaria satisfeito com o céu, se Cristo não estivesse lá?[1]

E a pergunta para nós, líderes, pastores e missionários é: pregamos, ensinamos e orientamos de tal modo que os crentes estejam preparados para ouvir esta pergunta e responder com um ressoante “Não”? Como entendemos o evangelho e o amor de Deus? Será que, juntamente com o mundo, temos deixado de ver o amor de Deus como a dádiva d’Ele mesmo para considerar este amor como um espelho que reflete aquilo que gostamos de ver? Temos apresentado o evangelho de maneira tal que o dom da glória de Deus na face de Cristo é secundário, em vez de central e essencial?[2]

Será que nós, pastores e missionários, estamos preocupados em vender o céu para essas pessoas? Ou fazer com que Cristo seja conhecido através de nossas mensagens? Nossa maior preocupação deve ser se as pessoas querem ir para o céu por saberem que Cristo estará lá.

O nosso propósito de vida é glorificar a Deus. Todas as outras coisas são conseqüências de nossa adoração a Ele.

Em Colossenses 1.15-17, diz:

Ele é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação, pois nele foram criadas todas as coisas nos céus e na terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos ou soberanias, poderes ou autoridades; todas as coisas foram criadas por ele e para ele. Ele é antes de todas as coisas, e nele tudo subsiste.

Nesse texto conseguimos enxergar que todas as coisas tem o foco em Deus e não nos homens. Vejamos numa breve explicação:

  • Pois nele – o centro criativo e causal de sua existência;
  • Por ele – o agente da criação; e
  • Para ele – o objetivo final de toda a criação.

Todas as coisas existem n’Ele, provêm d’Ele e foram criadas para glorificá-Lo. Esse texto é fantástico e nos mostra claramente onde está o propósito final da nossa vida: está em enxergar a glória de Deus na face de Cristo. Ele é o primeiro e principal.

Em Colossenses 3.11, diz:

Nessa nova vida já não há diferença entre grego e judeu, circunciso e incircunciso, bárbaro e cita, escravo e livre, mas Cristo é tudo e está em todos.

Esse texto nos mostra que Cristo transcende todas as barreiras e unifica pessoas de todas as culturas, raças e nações. Distinções como essas já não são relevantes. Só importa estar em Cristo. Paulo tinha um entendimento magnífico que a glória de Deus era refletida através da obra de Cristo na cruz.

Nosso foco deve ser: entender de fato, que a glória será sempre para Deus e não para o homem e pregar mensagens que levem as pessoas à enxergarem a glória de Deus na face de Cristo. Ao proclamarmos a mensagem verdadeira de tornar Cristo conhecido, faremos com que as pessoas enxerguem a Cristo, como principal foco da salvação,  e não o céu.

Para onde estamos levando o nosso rebanho? Que tipo de mensagens estamos pregando?

De nada mais o mundo necessita além de ver a dignidade de Cristo através da obra e palavras do seu povo, o qual foi atraído por Deus. Isso acontecerá quando a igreja despertar para a verdade de que o amor salvífico de Deus é o dom de Si mesmo e de que Deus mesmo é o evangelho.[3]


[1] PIPER, John. Deus é o evangelho: um tratado sobre o amor de Deus como oferta de si mesmo, pág. 14.

[2] Idem, pág. 15.

[3] PIPER, John. Deus é o evangelho: um tratado sobre o amor de Deus como oferta de si mesmo, pág. 17.

 

Missões: a razão da nossa existência?

O deus desta era cegou o entendimento dos descrentes, para que não vejam a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus. Mas não pregamos a nós mesmos, mas a Jesus Cristo, o Senhor, e a nós como escravos de vocês, por causa de Jesus. Pois Deus disse: Das trevas resplandeça a luz, ele mesmo brilhou em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus na face de Cristo”. (II Co. 2.4-6)

Esta é uma das mais notáveis descrições do evangelho em toda a Bíblia. Nada há como esta descrição. Ela define o evangelho como “o evangelho da glória de Cristo”. Afirma que este evangelho da glória de Cristo emite uma “luz” – “a luz da glória de Deus na face de Cristo”.

A luz (Espírito Santo) resplandece no coração, o poder da escuridão de Satanás é destruído (a cegueira), os olhos dos espiritualmente cegos são abertos, a fé é criada, o perdão dos pecados é concedido. O entendimento da obra de Cristo na cruz inicia o processo de santificação que impulsiona o novo nascido a espalhar a glória de Deus.

Em II Coríntios 4.7, Paulo descreve a si mesmo como um vaso de barro que contém um poderoso evangelho: “Mas temos esse tesouro em vasos de barro, para mostrar que este poder que a tudo excede provém de Deus, e não de nós”. O Ministério de Paulo não visava exaltar a si mesmo. Deus cuidou para que Paulo não tivesse motivos em que se gloriar – mesmo entre os homens. Aflições e fraquezas eram abundantes (4.8-18). Mas isso não é um obstáculo ao brilho da glória de Deus. Por que o propósito de nossas vidas é espalhar a glória de Deus entre todos os povos, fazendo Cristo conhecido. E não a exaltação egocêntrica como vemos em nossas igrejas nos dias de hoje.

Assim, a tarefa missionária é de fazer Cristo conhecido a fim de que todos os povos glorifiquem a Deus e rendam a Ele todo louvor e adoração. Trata-se de uma das mais fortes motivações para obra missionária, que num processo que se auto-alimenta começa e termina no louvor a Deus. Adoração é o combustível e o alvo de missões. À medida que povos adoram a Deus, a sua glória é manifesta entre todos os povos. Um dia esta glória será completa, quando representantes de todos os povos, tribos, línguas e nações estarão diante do Cordeiro e junto com os seres celestiais cantarão:

“Digno é o Cordeiro que foi morto de receber poder, riqueza, sabedoria, força, honra, glória e louvor! Depois ouvi todas as criaturas existentes no céu, na terra, debaixo da terra e no mar, e tudo o que neles há que diziam: Aquele que está assentado no trono e ao Cordeiro sejam o louvor, a honra, a glória e o poder, para todo o sempre!” (Apocalipse 5.12-13)

É tremendamente fundamental guardar esta perspectiva no trabalho missionário e na reflexão missiológica. Facilmente, outros alvos e objetivos dominam nossa forma de pensar e agir. Interesses secundários e valorizações de métodos e estratégias tornam-se alvos finais ao invés de serem instrumentos e canais para a realização da obra.

O propósito final da nossa vida não é missões, e sim a glória de Deus. John Piper inicia seu excelente livro “Alegrem-se os povos”, dizendo:

Missões não é o alvo final da Igreja. Adoração é. Missões existe porque a adoração não existe. Adoração é o alvo final, não missões, porque Deus é o definitivo, não o homem. Quando esta era terminar, e os incontáveis milhões de redimidos se prostarem em suas faces diante do trono de Deus, missões não existirá mais. É uma necessidade temporária. Mas a adoração existirá para sempre.

Até quando nós vamos negligenciar algo tão importante que a Bíblia nos ensina? Quando nós, líderes, pastores e missionários colocarmos em prática aquilo que já entendemos, que o propósito de nossa vida é adorar a Deus, nossas igrejas terão uma visão missionária correta! O alvo de missões é espalhar a glória de Deus entre todos os povos, levando-os a glorificar a Deus através da formação de verdadeiros adoradores.

Uma igreja nunca será bíblica se ela não for missionária.